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"ILHA DAS FLORES"

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?Cod=647&Exib=2769 

Gênero: Documentário, experimental.

Diretor: Jorge Furtado

Ano: 1989

         

          Não se engane. O título contradiz todo o contexto visto ao longo de 13 minutos de filme. “Ilha das flores” mostra a triste e cruel realidade em que vivemos. Embora o curta-metragem tenha sido produzido em 1989, o tema é bastante atual, e os assuntos abordados, infelizmente, ainda estão sem soluções. Problemas como a miséria, fome, desigualdade e exclusão social e capitalismo são discutidos de forma satírica, principalmente em relação às peculiaridades do ser humano.

          O filme já começa com questões polêmicas, utilizando frases como: “Este não é um filme de ficção”, “Esta não é a sua vida” ou “Deus não existe”. A história narra, de uma maneira dinâmica, o trajeto de um tomate desde sua plantação até o momento em que é consumido. Esse percurso é recapitulado a cada novo tópico que surge, e que estão interligados e vão sendo continuamente seguidos.

          O sarcasmo é evidente. O homem é descrito como um ser vivo evoluído, com “telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor”, como afirma, várias vezes, o narrador. Há dois momentos em que o humor negro é perceptível: 1) Enquanto se afirmam as características diferenciais dos seres humanos, exaltando as melhoras que este pode proporcionar ao planeta Terra, exibe-se a imagem da explosão da bomba de Hiroshima. 2) Quando o locutor se refere ao fato de Cristo ser judeu, e os judeus serem seres humanos – subentende-se, então, que eles são iguais a qualquer ser humano –, se vê as imagens do holocausto durante o nazismo. 
             O tomate, “protagonista” do documentário, é rejeitado por um ser humano, e considerado impróprio para o consumo. Na “Ilha das flores”, como ironicamente é chamado o depósito de lixo da cidade, as condições de vida dos porcos são melhores que a dos homens, mulheres e crianças que vivem naquela área. Os porcos, por terem donos, têm prioridade na hora da coleta do lixo orgânico, ficando, assim, com o tomate. Por fim, o narrador ratifica as características humanas, onde afirma a sua liberdade com a frase de Cecília Meireles: “Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. 
       
     O ritmo no qual o texto é narrado e a abundancia de imagens exibidas prendem a atenção de qualquer espectador. Com uma didática simples, o filme é uma crítica sutil e inteligente à sociedade. É impossível, assistir ao documentário, e não sentir vergonha e indignação diante de tamanha miséria. O fato de porcos estarem acima dos homens em uma escala prioritária, mostra o quão absurda é essa realidade. Enfim, é bem verdade que os seres humanos possuem telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, ao contrário dos suínos. E, mesmo assim, a humanidade ainda falta muito o que evoluir.



Escrito por Gabriela Quintas às 12h06
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ZUZU ANGEL: "Quem é essa mulher?"

O filme se passa no Brasil dos anos 70. Narra a história da luta da estilista brasileira Zuzu Angel na procura pelo corpo do seu filho, Stuart Edgard Angel Jones, torturado e morto durante a ditadura militar. Um Brasil que os atuais jovens pouco conhecem; e os que vivenciaram, fazem questão de esquecer.

Stuart Angel – ou Tuti, como Zuzu o chamava – era estudante universitário e militante político. Lutou pelo socialismo e contra a repressão junto a tantos outros jovens da época, que visavam um país democrático e livre. Durante o período da ditadura, muitos dos que combatiam por esse ideal sofreram perseguições políticas e foram presos, torturados e mortos.

Com um regime rigoroso e cruel, a sociedade brasileira viveu seus “anos de chumbo”. A censura e a falta de democracia e dos direitos constitucionais foram característicos de um período amargo da história nacional. Zuzu Angel fez parte dessa trajetória política brasileira, e tinha como único objetivo encontrar e velar o corpo de seu filho.

A estilista teve sua vida vigiada, telefones grampeados e era vista como “perigosa” pelos militares. Diante de uma difícil situação, e sofrimento contínuo, Zuzu não desistiu. Na busca pelo filho desaparecido, a estilista levou sua indignação às passarelas. A moda simbolizava figuras de anjos, militares cumprindo continência, um sol encarcerado, vários crucifixos e tanques de guerra. Foi a maneira simbólica que ela encontrou de expor para o mundo, através de seu trabalho – e óptica –, a realidade brasileira da época.

No longa-metragem, Zuzu consegue a ajuda de um ex-militar. No depoimento, ele declara ter sido testemunha da tortura que levou Stuart à morte. Amarrado à traseira de um jipe da Aeronáutica, o jovem teria sido arrastado com a boca colada ao cano de descarga do veículo. No relato, o corpo de Stuart foi jogado ao mar. Porém, segundo pesquisas, a existência verídica do ex-militar não foi comprovada, o que o torna um personagem fictício no filme.

Com a demasiada censura do governo, os artistas eram obrigados a oprimir suas formas de manifesto, mesmo as feitas através da arte. Chico Buarque de Hollanda foi um dos que sofreram tamanha opressão. Amigo de Zuzu, o cantor mantinha contato com a estilista, e recebeu uma carta sua, onde ela declarava que: caso lhe acontecesse algo, este, provavelmente, seria causado pelos mesmos assassinos de Stuart. Chico Buarque distribuiu diversas cópias da carta, e compôs a música “Angélica” em homenagem a Zuzu.

Zuzu Angel morreu em 1976, em um acidente de carro. Na época, a causa da morte foi divulgada como um fato comum; foi dito, inclusive, que ela teria dormido ao volante. Hoje, acredita-se que o motivo do acidente tenha, realmente, sido provocado pelos militares.

Anos temidos, um Brasil oprimido, arte reprimida e censurada. Responsáveis, impunes; uma nação sem direitos. Quantas “Zuzus” perderam seus filhos na ditadura? Quantas mães não tiveram o direito de velá-los? Zuzu Angel representa a imagem da mulher-mãe; àquela que demonstrou tamanha grandeza ao enfrentar a repressão de um governo desumano; àquela que lutou pelo seu filho mesmo depois de morto. Deve ser lembrada sempre como alguém que superou os limites do amor materno. Alguém que, com certeza, sabia o significado da palavra justiça. 

  

Cinebiografia em exibição
Elenco: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Luana Piovani, Leandra Leal, Othon Bastos, Alexandre Borges, Ângela Vieira, Ângela Leal, Flávo Bauraqui, Ivan Cândido, Paulo Betti, Nélson Dantas, Elke Maravilha, Antônio Pitanga, Aramis Trindade, Regiane Alves, ...
Direção: Sérgio Rezende



Escrito por Gabriela Quintas às 19h21
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Escrito por Gabriela Quintas às 16h16
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